terça-feira, 9 de abril de 2013

Mercado Editorial Brasileiro


Diz o ditado popular que toda pessoa tem que fazer três coisas antes de morrer: Plantar uma árvore, escrever um livro e ter um filho. Lendo essa frase têm-se a impressão de que os itens foram citados por ordem crescente de dificuldade, e caso tenha sido essa a intenção, ainda bem que o autor da frase usou a palavra “escrever”, se houvesse optado por uma menos poética, como “publicar”, talvez o ditado não tivesse se tornado tão popular ou correto, já que um filho nasce em nove meses e publicar um livro, se acontecer, pode levar uns bons anos.

Há algum tempo, comecei uma pesquisa sobre qual seria o processo a ser enfrentado por alguém que quisesse publicar um livro no Brasil. A principio, o passo a passo, não parece tão difícil. Primeiro há, é claro, que se escrever uma obra literária. Depois de concluída, o conselho geral é para que se faça o registro do material na Biblioteca Nacional, isso para que o autor tenha o direito de processar alguém em caso de plágio quando começar a enviar a obra impressa para os quatro cantos do país, pois é esse o próximo passo, mandar para o maior número de editoras que trabalhem com publicações do gênero da sua. É importante fazer essa pesquisa sobre os gêneros de livro com que cada editora trabalha, pois a maioria solicita que a obra seja enviada impressa, então caso o seu livro tenha quinhentas páginas, ou mesmo cem, ninguém gosta de gastar dinheiro com impressão e envio de um material que a editora nem mesmo vai ler, pois não se enquadra na sua linha de trabalho e produção.

Feito isso, é esperar. E esperar sentado, deitando eventualmente. A maioria das editoras pede um prazo de até seis meses para analisar sua obra e lhe dar alguma resposta. Isso quando dão. A outra grande maioria não da qualquer tipo de feedback e como geralmente pedem sinopse e resumo, é de se concluir que nem chegam a fazer uma avaliação total do conteúdo da obra, o que é um erro, pois se dependesse de resumos, eu deixaria de ter lido livros excelentes.

Mas qual o problema? Como há tantos livros no mercado se há tantas negativas? A resposta é simples: traduções. As editoras brasileiras adoram comprar direitos autorais de obras que já fazem sucesso em outros países e somente traduzi-las para o português. Já vem com o número de vendas de exemplares no exterior estampado na capa e o lucro é garantido.

Uma boa tacada para o mundo capitalista, uma bela facada no mercado literário nacional. Acumulando pilhas de negativas de editoras e frustração, é cada vez mais comum ao autor nacional percorrer caminhos alternativos.

Um desses caminhos são as editoras para as quais você paga pela revisão, capa e publicação do material e ela ajuda a promovê-lo. Empresas que prestam esse serviço já possuem vários planos disponíveis, no melhor esquema de companhia telefônica. Mediante o pagamento de tal quantia você publica. Por uma soma extra, ganha uma capa e por mais um bocadinho a revisão também.

Outra opção nasceu da ideia de pessoas que perceberam a realidade do mercado editorial e resolveram criar empresas online, cujo site aceita qualquer tipo de obra e a publica sem custo. Caso o livro venda e lucre uma determinada quantia mínima, o autor começa a receber uma porcentagem do valor arrecadado como direitos autorais.

E existem ainda raríssimas empresas que recebem originais, os analisa e publica pequenas tiragens, arcando eles mesmo com todo custo de produção. Caso todos os exemplares dessa primeira tiragem sejam vendidos, uma nova leva é impressa. Os profissionais dessa empresa também ajudam a promover o livro em lançamentos e canais online, assim como dão dicas de como o próprio autor pode começar a fazer propaganda da sua obra. O lucro do autor vem novamente de uma porcentagem sobre cada exemplar vendido, acertado previamente com a editora.

Esses são caminhos cada vez mais seguidos por autores que cansaram de ver seus livros na gaveta. Mas sinceramente, podemos culpar apenas as editoras por isso? Levante a mão quem ligou a TV, o rádio, abriu o jornal e viu um espaço mínimo que seja, mas inteiramente dedicado a falar sobre lançamentos literários? Bom, se você achou, me indique, porque eu gostaria de aumentar a audiência em reconhecimento a essa brecha rara.

A mídia atual, mídia de massa, como TV e rádio, não disponibiliza nenhum espaço para a divulgação de obras literárias, o que ajudaria e muito a impulsionar esse mercado e daria um bom incentivo e apoio às editoras para investirem mais em talentos nacionais.

Uma prova dessa realidade é o crescente número de blogs que resenham livros e se dedicam a comentar e indicar obras lidas, ávidos em trocar ideias e informações, e encontrando somente a internet como espaço para isso. Faça uma busca rápida e poderá constatar o grande número de blogs literários em funcionamento atualmente. Graças a isso, é na internet também que os poucos autores nacionais ganham seu destaque e fama. Com as mídias fechadas a esse segmento, a internet é o respiro, o meio pelo quais os leitores, dos casuais aos devoradores de livros, se encontram para comentar e conhecer, e onde também é prestado o reconhecimento aos autores que suaram e continuam suando para conseguir ter suas obras publicadas.

É conhecida a lenda de que “filmes de Hollywood são melhores que os nacionais”, e talvez por isso, o povo brasileiro tenha finalmente experimentado uma leve “revolta” e começamos a presenciar um número maior de pessoas comprando ingressos para apreciar o cinema nacional.

Agora, acredito que já esteja mais do que na hora de jogarmos na nossa própria cara, que creditamos esse estigma à literatura também. Passamos a acreditar que “obras de autores internacionais são melhores que as escritas por brasileiros”. Vamos aceitar isso para começar a mudar e quem sabe assim, editoras e mídia aumentem a abertura e incentivo as mentes e talentos nacionais, indo além da sinopse.




3 comentários:

  1. Calma! Um dia nossos livros serão publicados por uma editora e, se Deus quiser, sem termos que correr atrás!

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  2. Oxiiii! Não entendo nada de mercado editorial, mas posso imaginar como ele(não) funciona. Não perca as esperanças, como a Marina falou, seus livros serão publicados e, provavelmente, disputados pelas editoras. ;) Boto fé. Eu até entendo a opção pelo lucro garantido (sou publicitária), mas as editoras poderiam fazer um rodízio, entre as traduções e os nacionais. Quem sabe não teriam uma enorme e satisfatória surpresa. Oremos!

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